Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso repudia nova Servidão Administrativa concedida à Savannah Resources

Em nota enviada às redações, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) repudia a segunda Servidão Administrativa concedida à Savannah Resources, que permite à empresa britânica avançar com o Projeto de Lítio do Barroso, localizado em Covas do Barroso, no concelho de Boticas.

“Esta servidão administrativa repete e agrava o abuso de autoridade que tem pautado todo o processo à volta do projeto da Mina do Barroso. A UDCB contesta a normalização de medidas de tal agressividade como forma de implantação de um projeto contrário à vontade da população”, refere esta associação vincando não esquecer os “abusos levados a cabo durante a primeira Servidão Administrativa”.

“(…) nomeadamente os trabalhos executados pela empresa fora da área licenciada, impedimentos de circulação dos residentes no baldio e a instalação de seguranças privados na aldeia, criando-se desta forma um clima de vigilância à população local. Também a GNR procurou por várias vezes intimidar e isolar os proprietários, de modo a dissuadi-los de protestar a entrada forçada da empresa nos seus terrenos”, pode ler-se.

Para além de considerar esta decisão “anómala”, a UDCB alerta ainda para o “aumento desmedido da nova área abrangida pela Servidão [Administrativa]”, referindo tratar-se de uma área de 228 hectares o que “representa uma ocupação 172 vezes superior à área licenciada na primeira Servidão Administrativa”.

A associação defende ainda que a Servidão Administrativa é “profundamente danosa para a população local”, dado que a mesma “depende do acesso às terras de pasto e áreas comunitárias para a sua subsistência”, condicionando “um modo de vida local, presente na região há gerações e considerado Património Agrícola Mundial pela FAO”.

A UDCB, liderada por Nélson Gomes, reitera que “contrariamente ao discurso da empresa, o projeto da Savannah Resources não tem o aval da população local”, sublinhando que a “necessidade de recorrer a uma Servidão Administrativa para forçar entrada em terrenos privados e baldios exemplifica o que tem sido uma conduta de intimidação e agressão por parte da empresa”.

A associação aponta ainda o dedo ao Governo, reforçando não reconhecer legitimidade política a esta Servidão Administrativa.

“A este assédio à comunidade acresce o abandono do Governo às populações que afirma representar, colocando-se constantemente numa posição servente de uma empresa privada. Não reconhecemos qualquer legitimidade política a esta Servidão Administrativa. A UDCB continuará a trabalhar para travar este projeto, fazer valer os direitos das populações e defender o património comum da região.  Responsabilizamos o Governo pela necessidade de intensificar a luta nas nossas aldeias”, terminam por dizer.

A mina do Barroso obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) condicionada em 2023, e a Savannah prevê iniciar a produção em 2028. O projeto continua a ser contestado por várias associações, população, ambientalistas e autarcas.

Diogo Batista
Foto: DR


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06/05/2026

Sociedade

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