Novo Grão-Mestre da Academia Gastronómica e Cultural da Micologia pretende ligação com a terra e respeito pela natureza
António Pedro Bragança Esteves dos Santos tomou posse na quinta-feira, dia 19 de fevereiro, como Grão-Mestre da Academia Gastronómica e Cultural da Micologia de Vila Pouca de Aguiar, uma associação dedicada à valorização dos cogumelos silvestres e da cultura micológica na região. Os novos órgãos sociais pretendem, nos próximos três anos, procurar uma ligação com a terra, respeitar a natureza e promover o concelho aguiarense.
Com 68 anos de idade, é um dos
sócios fundadores da Academia Gastronómica e Cultural da Micologia de Vila
Pouca de Aguiar, fundada em outubro de 2008. António Pedro Santos sucede a José
Miguel Matos Bragado nesta associação com cerca de 80 académicos.
O novo Grão-Mestre explica que,
normalmente, as confrarias procuram “dar ênfase a produtos que estejam ligados
às terras onde estão sediadas” e a Academia vem “reforçar e dar força a um
produto natural, que é aqui da nossa região, e que é muito apreciado e usado na
gastronomia local”.
“O cogumelo é uma iguaria que as
pessoas procuram muito na época própria, nos montes, e há quem seja um
verdadeiro conhecedor dos que se podem ou não comer”, disse António Pedro
Santos.
Também a preservação da natureza
faz parte dos estatutos desta Academia Gastronómica que completa 18 anos em
setembro deste ano. “A natureza manifesta-se de maneiras intempestivas e que
nos criam imensos problemas e, portanto, é uma forma de nos ligarmos e
promovermos o respeito pela natureza”. Ao mesmo tempo, é intenção do
recém-eleito Grão-Mestre promover “a nossa terra, o nosso concelho, e tudo
aquilo que de bom este cantinho do país tem, para quem cá vive e para quem nos
visita”.
A Academia tem como missão a
“valorização do cogumelo” e ainda a promoção “do ponto de vista científico e
gastronómico”.
A nova direção tem planeado
associar-se às iniciativas que promovem Vila Pouca de Aguiar uma vez que “ao
promovermos a ecologia e o cogumelo, promovemos também o concelho, criando
iniciativas ou indo ‘de reboque’ a outras iniciativas que já existam”.
A Associação garante que vai
manter a ação anual na tradicional Mostra Gastronómica e Feira de Produtos de
Outono – Cabrito, Castanhas e Cogumelos, iniciativa promovida pelo município
aguiarense no Outono, no mês de novembro. O empossado Grão-Mestre adianta que
pretendem ir mais além. “Queremos ir mais longe e conseguirmos, durante o ano,
aproveitar outras ações e sermos o ponto de referência de ações que possam
depois ser aproveitadas (…) fora do outono”.
Com estas atividades desejam
também criar uma “melhor imagem para a própria Academia” que “esmoreceu um
bocadinho nos últimos tempos, talvez pela pandemia, ou por outro qualquer
motivo”.
“As pessoas fazem toda a diferença”
Para António Pedro Santos, há um
fator fundamental na Academia que são as pessoas. “Eu acredito, por uma questão
de formação com os meus 68 anos de idade, e com a experiência profissional e
pessoal que levo, que as pessoas fazem toda a diferença”. O Grão-Mestre
refere-se aos sete membros que tomaram posse para a Chancelaria e que “são
pessoas com idades distintas, e cada uma com uma experiência profissional e
pessoal diferente, e com todo o entusiasmo que eu vi no ato eleitoral, com
vontade de pertencer e contribuir”.
É com o contributo dos vários
elementos, “porque cada pessoa aporta uma ideia diferente (…) que vamos moldar o futuro da Chancelaria e da
Academia”. Também uma referência é feita a Domingos Dias, o Mestre Principal,
ao qual António Pedro Santos “tirou o chapéu” pelo contributo “muito
importante” para a constituição da lista vencedora.
O Grão-Mestre deixa a promessa de
que vão “reunir, estudar, trabalhar e refletir”. “Vamos propor coisas que
dinamizem, e quando falamos dos próximos três anos, vamos ver aquilo que estes
sete magníficos académicos que compõem a Chancelaria vão conseguir aportar. É
essa a minha grande expectativa para o futuro”.
De recordar que, após sufrágio
por votação secreta, de acordo com os respetivos Estatutos, foram eleitos para
o Capítulo, Domingos Manuel Pinto Batista Dias para Mestre Principal. José
Borges Rebelo foi eleito Primeiro Mestre e Carlos Alberto da Costa Pinto como
Segundo Mestre. Já António Machado Pinto e Virgílio Manuel Gonçalves Ferreira
foram eleitos terceiro e quarto Mestres, respetivamente.
Para a Chancelaria, António Pedro
Santos foi eleito Grão Mestre, António Paulo Sousa Rodrigues, Grão Conselheiro,
José Gomes da Costa, Grão Escriba e António José Pinto Batista Dias foi eleito
Grão Contador. Já Maria Célia Carvalho Matos Martins será Grande Notário, Ana
Catarina Lourenço Chaves Gonçalves, Fiel das Usanças, e Rui Manuel de Sousa
Figueiredo foi eleito Mestre Jornaleiro.
Para a Provadoria, Cláudio
Roberto do Amaral Bastos foi eleito Grão Provador, Avelino Fernandes Gomes,
Mestre Provador, e Rui Manuel de Moura Ribeiro foi eleito Primeiro Provador.
“Basta que as pessoas queiram, gostem da temática da micologia e da
gastronomia”
Para se fazer parte da Academia
Gastronómica e Cultural da Micologia de Vila Pouca de Aguiar é necessário
“gostar de cogumelos e da natureza, e gostar também da vida associativa”,
refere António Pedro Santos. A nível formal, “basta que um membro proponha [o
convite], é apresentado à Chancelaria que, após a aprovação, faz a
entronização”. O entrevistado recorda-se de, nos primeiros dez anos, ter havido
mais do que uma entronização em alguns anos e explica que, normalmente, “se se
conseguir uma entronização por ano, já não é mau, é sinal que a Academia está
viva e que vai acrescentando associados e interessados”.
“O que precisamos agora é de nos
juntarmos todos e de meter mãos à obra”, concluiu António Pedro Santos.
A tomada de posse dos novos órgãos
sociais para o triénio 2026-2029 decorreu no sábado, no Hotel Aguiar da Pena,
na freguesia de Vila Pouca de Aguiar.
Ângela Vermelho
Fotos: Ângela Vermelho e Academia
Gastronómica
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20/02/2026
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