Souto Metal Fest chega a Telões em maio e promete espírito maronês

A aldeia de Souto, na freguesia de Telões recebe no sábado, dia 30 de maio, o Souto Metal Fest, o primeiro festival de metal em Vila Pouca de Aguiar, que promete colocar todo o concelho a mexer, com oito bandas de estilo musical metal. Segundo a organização, não se trata apenas de um festival, mas de uma experiência sensitiva, que contará com degustação de comidas típicas da zona e mostra de animais.

Teresa Gonçalves, pertencente à coordenação do evento, começou por ter contacto com “o mundo do metal” e apercebeu-se de que os seus fãs são um clã muito unido, com bastante mobilidade, e que “arrastam” a família e os amigos para os concertos. “Para mim, isto do metal é quase como uma tribo, as pessoas vão andando e vão seguindo estes roteiros do metal. E, para minha surpresa, há pessoas que me contactam, que são casais com dois ou três filhos, dos 6 aos 10 anos, e que querem trazer os miúdos, e é uma coisa muito familiar e unida”.

Foi com este conceito em mente que Teresa Gonçalves partiu para a concretização do festival, mas diz que é graças à equipa que tem à sua volta, de cerca de 20 pessoas, que foi possível avançar com o festival. “Rodeei-me de pessoas extraordinárias do mundo do metal e, entretanto, como surgiu a possibilidade de ser uma coisa maior, tivemos que nos escudar e de nos fazer valer de uma associação que já estava criada”, refere.

A Associação de Moradores em Souto esteve ao lado projeto desde o início e “mostrou sempre toda a vontade de ajudar, de estar presente e de contribuir com o seu nome” para a primeira edição do festival, conta.

 

Trazer o metal para o mundo rural

Quando Teresa Gonçalves projetou o evento, estava patente que teria de unir a ruralidade e a essência da aldeia de Souto ao mundo do metal, numa fusão de rusticidades locais. “O Souto Metal Fest vai trazer o metal para o rural e para a aldeia, e é um tema integrado na nossa vaca maronesa, na vaca serrana, que é uma raça autóctone do nosso lar de criação, e ainda o fogo”.

Desta forma, no dia 30 de maio, querem fazer uma tríade entre “o fogo, a vaca e o metal”. A porta-voz do evento adianta que “vai ser quase como o tição do Natal, mas em época já primaveril, com as vacas envolvidas”. Têm também pensado fazer uma mostra de animais na manhã do evento, com “a nossa vaca representada, e também ovinos, caprinos, burros e cavalos”.

O objetivo é, segundo a entrevistada, mostrar a raça autóctone às pessoas que vêm de fora. Também a pensar nestes visitantes, haverá uma caminhada integrada pela aldeia, depois do almoço, e antes da abertura do festival, porque “as pessoas não vêm só para o concerto, vêm também percorrer os caminhos da aldeia, conhecer onde é que os animais se alimentam, e conhecer o nosso baldio”.

O evento decorrerá na zona conhecida pelos compartes do baldio como Viveiro de Souto, “no espaço envolvente ao rio”. O recinto do festival terá uma zona de restauração com “vaca maronesa grelhada, bifanas, alheiras fumeiros na brasa e, em princípio, estamos a prever ter rojões, com a nossa broa de milho, que também é local. Serão todas comidas muito tradicionais”, revela Teresa Gonçalves.

A organização acredita que será um evento de “ativação sensorial, através do paladar, dos cheiros e dos sons”.

 

Dinamização económica do concelho e sustentabilidade

Com a realização do festival, segundo Teresa Gonçalves, além das respetivas bandas, constituídas habitualmente por mais de dez pessoas, há também as famílias que as acompanham, os seus fãs e ainda os amantes deste estilo musical. Significa que, com a receção de “pessoas de fora” o festival “vai mexer muito com a hotelaria e com a restauração, porque as bandas não vêm, garantidamente, só para o concerto. Vêm e ficam para o dia a seguir ao festival, ou vêm no dia anterior, porque algumas são de longe, e claro que vai trazer uma dinâmica e movimentação muito interessantes aqui para o nosso concelho”.

A sustentabilidade é um dos pilares para a equipa responsável pelo evento, que terá copos de plástico reutilizáveis. “Seria impensável termos um festival integrado no que é rural, no que é a natureza, e termos copos descartáveis.  E vamos colocar vários locais para se colocar o lixo, porque estamos numa zona ao pé do rio, e não queremos que haja lixos espalhados, seguindo também a base do menor desperdício e da menor pegada ecológica”.

Outra prioridade do festival será a utilização de produtos autóctones na gastronomia disponível, nomeadamente ao nível de produtores de carne locais. “Vamos trabalhar para trazer riqueza e movimentação económica aqui para os nossos agricultores, para a nossa comunidade, e para todas as pessoas que estejam aqui no nosso concelho”, sublinha Teresa Gonçalves.

Também a segurança no evento é feita com serviços locais. “Pedimos serviços de segurança a pessoas locais, e também os nossos Bombeiros de Vila Pouca de Aguiar vão estar lá”.

 

Oito bandas confirmadas

Já estão confirmadas as oito bandas do cartaz da primeira edição do Souto Metal Fest. De Chaves vêm os Ruína e os Sarronco, Vila Real será representada pelos In We Fall, que tem elementos oriundos de vários pontos do Norte. Os Chaos Addiction representam o Porto, os Music in Low Frequencies saem de Braga, os Gnosis vêm de Setúbal e os Besta partem de Lisboa.

A abertura do festival estará a cargo da banda de covers Fora D'Oras, oriunda de Souto, e que se vai estrear precisamente neste evento. Quanto à ordem das bandas, a porta-voz do evento explica que está previsto que o cartaz seja “escalado de forma a ser sempre em crescente, exponencial, ou seja, começamos mais suave e o último, que posso dizer que serão os Gnosis, vai ser mesmo para a terra vibrar”.

 

Primeiros bilhetes com ofertas especiais já estão esgotados

O preço inicial do bilhete para o Souto Metal Fest é de 10 euros e a organização colocou bilhetes em early bird, com a oferta de uma t-shirt do evento e um copo reutilizável, que esgotaram em três dias. Numa segunda fase, os visitantes têm a oportunidade de adquirir o bilhete pelo mesmo valor e receber um copo reutilizável de oferta. Posteriormente os bilhetes passarão a custar 12 euros e ficarão a 15 no dia do evento.

A promotora do evento acredita que “as pessoas estão muito sedentas deste tipo de eventos e, como é no último fim de semana de maio, ainda não há nada de muito especial a acontecer em lado nenhum”.

Como forma de “mostrar gratidão à Junta de Freguesia de Telões pelo apoio demonstrado”, refere Teresa Gonçalves, a coordenação do evento decidiu que os “habitantes da freguesia, mesmo no dia do evento” terão um preço especial de 10 euros para aceder ao festival.

Os responsáveis pelo Souto Metal Fest têm uma expectativa de “no mínimo, 500 pessoas no festival”. E, relembra a porta-voz, a página de Instagram do evento, que foi “criada há cerca de um mês, se tanto, já tem perto de 1.000 seguidores”.

Os bilhetes podem ser adquiridos em https://shotgun.live/pt-pt/festivals/souto-metal-fest.

 

Angariação de fundos para o festival

“Neste momento, os apoios são muito escassos”, revela Teresa Gonçalves. Refere que têm “parceiros anónimos, que foram contribuindo com pouco que puderam”. A nível de parceiros institucionais, “temos a Junta de Freguesia de Telões, que também fez a sua participação” e em relação à Câmara “como contactámos já em janeiro, não tinham previsto o nosso festival no plano de atividades, e o valor que vão dar para o festival vai ser muito simbólico”.

Perante esta situação, a porta-voz do evento salienta que “depois temos o nosso trabalho, arregaçar as mangas e avançar, e trabalhar daqui até 30 de maio”. Uma das ideias da organização para angariação de fundos para o festival foi a realização de um evento de convívio com almoço, no domingo, dia 15 de março, na sala da Associação de Moradores em Souto, incluindo “jogos de cartas, o jogo do prego e da malha”.

 

A primeira edição do Souto Metal Fest terá lugar no sábado, dia 30 de maio, no Viveiro de Souto, apresentando um cartaz com oito bandas de metal.

 

Texto: Ângela Vermelho

Fotos: Teresa Gonçalves


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17/03/2026

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