Produtores de Pastel de Chaves IGP distinguidos após mais de uma década de certificação
A Confraria de Chaves distinguiu na sexta-feira, 16 de janeiro, no Auditório Engenheiro Luiz Coutinho, oito empresas em certificadas no fabrico do Pastel de Chaves, produto de Indicação Geográfica Protegida (IGP), há mais de 10 anos, destacando o compromisso com a tradição e a qualidade do produto emblemático da região, disse esta irmandade, liderada por Vítor Dias, Grão-Mestre da Confraria de Chaves.
Oito empresas produtoras de
Pastel de Chaves com IGP foram distinguidas, na sexta-feira, numa cerimónia
promovida pela Confraria de Chaves, com o objetivo de reconhecer o esforço
empresarial e reforçar a defesa da autenticidade deste produto tradicional,
face ao aumento de situações de uso indevido da designação.
“Hoje é um dia especial para a nossa gastronomia e para a cidade de
Chaves. Esta confraria decidiu, pela primeira vez, homenagear publicamente os
nossos produtores de Pastel de Chaves com IGP, um produto que representa a
identidade e a tradição da nossa região”, afirmou Vítor Dias.
“O que queremos aqui é reconhecer e valorizar o trabalho destes mestres
pasteleiros que mantêm viva uma tradição centenária. Este reconhecimento é
também um convite à promoção mais ampla do Pastel de Chaves no país e no mundo”,
acrescentou o terceiro Grão-Mestre desta Confraria.
Jorge Santos, vice-Grão-Mestre,
destacou que a missão da Confraria “vai muito além da gastronomia. Queremos revitalizar a
marca Chaves, preservando o património histórico e cultural da nossa região, com orgulho pelas nossas
origens. Chaves tem uma história extraordinária, desde a fundação da
nacionalidade, passando pelas invasões francesas, até à implantação da
República. É importante que as novas gerações conheçam e valorizem estes
episódios da nossa história”.
A iniciativa assinalou cerca de
uma década desde a atribuição do selo europeu de qualidade e pretendeu alertar
para a necessidade de maior coesão do setor e de vigilância contra fraudes,
nomeadamente a comercialização de produtos fora do concelho que utilizam
indevidamente a designação “Pastel de Chaves”, disse Lurdes Campos da Confraria
de Chaves.
Em declarações ao Canal Alto Tâmega, Lurdes Campos explicou que o selo IGP garante que o pastel só pode ser
produzido na cidade de Chaves, de acordo com um “rigoroso” caderno de especificações aprovado pela União Europeia,
após um processo que demorou cerca de 10 anos a ser concluído.
As empresas agraciadas foram a
Pastelaria Maria, Pastéis Jacinto, Produtos Alimentares Carina, Momento
Carbella, Biquinho Doce, Prazeres da Terra, D’Chaves e LusoPastel.
Segundo Lurdes Campos, apesar da
valorização trazida pela certificação, têm surgido “cada vez mais situações de adulteração do produto”, incluindo a
venda de pastéis com ingredientes que não respeitam a receita original,
associados indevidamente ao nome Pastel de Chaves, tanto em plataformas
digitais como em grandes cadeias de distribuição.
A também ex-técnica da Direção
Regional de Agricultura sublinhou ainda que, a certificação permitiu uma forte
expansão dos produtores para mercados externos, com vendas para países como
Luxemburgo, Suíça, Dinamarca e Polónia, estando também em curso contactos para
mercados como Brasil, Macau e Hong Kong.
A Associação Empresarial do Alto
Tâmega (ACISAT) é a entidade responsável pelo Agrupamento de Produtores, criado
no momento da candidatura a selo IGP, mas segundo o Presidente desta associação,
a ACISAT não tem função de fiscalização.
“A ACISAT não tem meios nem função de fiscalização. Quem deveria
fiscalizar seria entidades com poder para isso, mas sobre o alerta do
Agrupamento do Pastel”.
Vítor Pimentel adianta que
gostariam “de acordo os meios possíveis
ter forma de denunciar com maior eficiência os usos indevidos”, embora já o
venham a realizar. “Aquilo que a ACISAT
faz, enquanto pertencente ao Agrupamento, é sempre que aparece uma denúncia, é
primeiramente contactado o infrator, informado que está a utilizar um produto
que é adulterado e é-lhe enviado uma lista de produtores certificados para que possam
vender o pastel de Chaves certificado”, garantiu o Presidente desta
associação empresarial.
A cerimónia contou com a presença
de Gil Couto, Inspetor-Diretor da Unidade Regional Norte da Autoridade de
Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Carlos Carvalho, Chefe de Divisão de
Qualidade e Recursos Genéticos da Direção Geral de Agricultura e
Desenvolvimento Rural, Ana Dias, Coordenadora Técnica da Produção e Qualidade,
Vítor Pimentel, Presidente da ACISAT, Tiago Caldas, Vice-Presidente da Câmara
Municipal de Chaves e Vítor Dias, Grão-Mestre da Confraria de Chaves, assim
como produtores e confrades.
Na sessão foram abordados os
constrangimentos da fiscalização e sensibilizada a população para a importância
da denúncia de situações irregulares, contribuindo para a proteção desta
iguaria.
A cerimónia pública e solene procurou
“enaltecer o mérito, o saber-fazer e o
compromisso exemplar das empresas na salvaguarda da autenticidade e no respeito
pela tradição”, afirmou a Confraria.
Segundo a organização, a
cerimónia coletiva constituiu uma “expressão
de reconhecimento solene pelo contributo prestado à defesa da denominação
protegida, à preservação da identidade local e à dignificação de um produto que
honra a história e a notoriedade do território flaviense”.
O Pastel de Chaves, produto de
pastelaria, em forma de meia-lua, constituído por massa finamente folhada,
recheada com um preparado à base de carne de vitela picada, foi registado com
produto IGP a nível europeu em 27 de maio de 2015. Este selo é um instrumento
para garantir que o pastel, produzido exclusivamente no concelho de Chaves,
mantém os padrões de excelência, relacionados com a origem e métodos
tradicionais, respeitando o caderno de especificações.
Atualmente, e segundo a Confraria
de Chaves, são produzidos mais de quatros milhões e meio de unidades
certificadas produzidas e colocadas no mercado.
Sara Esteves
Fotos: Carlos Daniel Morais e
Confraria de Chaves
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20/01/2026
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