Oposição denuncia ilegalidade na aprovação do orçamento da freguesia de Cimo de Vila da Castanheira

Os eleitos pela Coligação Chaves Mais da Assembleia de Freguesia de Cimo de Vila da Castanheira levantaram dúvidas quanto à legalidade do processo de aprovação do Orçamento do Plano de Atividades para 2026, alegando falta de acesso prévio à documentação. A Junta de Freguesia garante que a documentação foi disponibilizada em suporte físico, após “erro informático”. O caso foi remetido ao Ministério Público que avançou com uma ação no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela.

Os eleitos da oposição, Filipe Rodrigues e Palmira Fernandes, referem que, na reunião de 29 de dezembro de 2025, não lhes foi disponibilizada qualquer proposta de orçamento ou respetivos documentos de suporte pela Junta de Freguesia de Cimo de Vila da Castanheira, no concelho de Chaves.

“Não nos foi previamente disponibilizada qualquer proposta de Orçamento ou de Plano de Atividades, nem a respetiva documentação de suporte, designadamente mapas orçamentais, notas justificativas ou enquadramento das opções do plano”, dizem através de uma nota de imprensa.

Segundo os subscritores, perante essa situação, manifestaram “a impossibilidade objetiva de proceder a uma apreciação técnica e juridicamente sustentada” dos documentos e propuseram o adiamento da discussão e votação para uma sessão posterior.

Ainda assim, “a Mesa da Assembleia optou por prosseguir com a discussão e votação dos referidos documentos, os quais vieram a ser aprovados pela maioria”, acrescentam.

Os eleitos consideram que o procedimento pode violar normas legais e princípios como o direito de oposição, a transparência e a boa administração, referindo designadamente a Lei n.º 75/2013 e a Lei n.º 24/98.

“Entendemos que o facto de nos encontrarmos em situação de minoria na Assembleia não pode significar a diminuição ou desvalorização do mandato que nos foi democraticamente conferido”, sublinham.

A freguesia de Cimo de Vila da Castanheira é presidida por Marcelo Morais, eleito por maioria nas últimas eleições autárquicas pelo Partido Socialista (PS) com 64,73% dos votos (178 votos), face aos 32,36% (89 votos) obtidos pela oposição, representada pela Coligação Chaves Mais.

Em reação, o executivo da Junta de Freguesia emitiu um comunicado nas redes sociais no qual afirma que a situação se deveu a “um erro informático que impossibilitou o envio atempado de toda a documentação”, garantindo que “tal situação não implicou, em momento algum, a ocultação de informação”.

Segundo o mesmo comunicado, “toda a documentação foi disponibilizada em suporte físico no dia 29 de dezembro de 2025, no início da respetiva reunião, tendo sido igualmente remetida por correio eletrónico, possibilitando a sua análise”.

O executivo rejeita “qualquer insinuação de atuação de má-fé”, sublinhando tratar-se de uma “situação meramente de natureza técnica e alheia a qualquer intenção de omitir ou condicionar o acesso à informação”.

O comunicado lamenta ainda a forma como o episódio está a ser interpretado, e defende que a atuação da junta se pauta por “princípios de transparência, responsabilidade e compromisso com a população”.

Já Filipe Rodrigues, da oposição, garantiu ao Canal Alto Tâmega que não teve acesso na reunião à documentação em suporte físico e que a mesma apenas lhe foi enviada via email já no final da reunião. “Eu não tive acesso durante a reunião, tive por email às 20h12 e a reunião tinha terminado às 19h30. Votei contra um orçamento que não conhecia”, disse o membro da oposição relembrando que foi deixado em ata a realização de uma reunião extraordinária para discussão do orçamento e que a mesma ainda não foi realizada.

O Presidente de Freguesia eleito admitiu que os documentos foram colocados em mesa no início da reunião. “Desde o início da reunião sempre esteve em cima da mesa o plano e o orçamento em papel e inclusive enviei por email a um elemento no momento”, destaca Marcelo Morais ao Canal Alto Tâmega.

O autarca de freguesia diz ter sido notificado pelo Ministério Público e remetido todas as atas e documentos.

A situação terá sido comunicada, segundo os subscritores a várias entidades, nomeadamente à Câmara Municipal de Chaves e à Inspeção-Geral de Finanças (IGF), tendo o Ministério Público avançado a 13 de março de 2026 com uma ação no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela.

Os subscritores afirmam ainda, num comunicado dirigido à população que “já foram chamados a prestar declarações no âmbito deste processo” e destacam que a sua posição não visa atingir os membros do executivo, mas antes “garantir o cumprimento da legalidade e a defesa dos interesses da população de Cimo de Vila da Castanheira e Dadim”, lê-se também na nota de imprensa.

O Orçamento da Junta de Freguesia de Cimo de Vila da Castanheira, superior a 131 mil euros, foi aprovado com cinco votos a favor e dois votos contra.

Sara Esteves

Foto: DR

 


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07/04/2026

Sociedade

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