Aguiarense apresenta estudo sobre riscos de Vila Pouca de Aguiar em congresso nacional

A aguiarense Cláudia Fernandes apresentou, na quinta-feira, dia 28 de maio, o projeto “Análise e Perceção do risco no concelho de Vila Pouca de Aguiar”, no VII Congresso Nacional de Riscos, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Com o estudo foi possível concluir que, para a população, as principais preocupações no concelho são os incêndios rurais, as ondas de calor e os acidentes rodoviários.

No âmbito da licenciatura em Engenharia de Proteção Civil, da Universidade Lusófona Porto, Cláudia Fernandes, de 31 anos e bombeira de profissão, juntamente com os colegas Sérgio Tavares e Fábio Neves, levaram as conclusões do seu projeto ao VII Congresso Nacional de Riscos que se regeu pelo tema “Recursos Naturais, Energia e Sociedade: riscos globais e caminhos para a sustentabilidade”.

A nível de conclusões, com uma escala de 1 a 5, o estudo mostrou que os incêndios rurais apresentam a maior média de preocupação (4,33), seguidos pelas ondas de calor (3,82) e por acidentes rodoviários (3,61).

Outra conclusão a que o grupo chegou foi o facto de haver “uma elevada literacia teórica (75,3% têm formação em Suporte Básico de Vida), mas uma carência crítica de meios materiais de primeira intervenção, com 65,5% dos inquiridos a admitir não ter equipamentos de proteção contra incêndio em casa”. Também percecionaram a “elevada disponibilidade (4,31) para alterar comportamentos preventivos, elegendo a educação (4,55) como o principal canal de informação”, referem.

No campo da consciência social, refe ainda o estudo, “a população rejeita explicações fatalistas, como ‘castigo divino’, atribuindo os riscos a falhas no ordenamento do território (média 3,81)”.

O Projeto de Investigação Interdisciplinar traz vantagens ao concelho, diz Cláudia Fernandes, uma vez que permite “o mapeamento de riscos com base na perceção real da população; ajuda a definir estratégias de comunicação mais eficazes e direcionadas; identifica grupos vulneráveis e avalia a confiança nas instituições e mecanismos de segurança”.

Quanto à escolha do local, a aguiarense explica que o estudo incidiu em Vila Pouca de Aguiar “devido às suas características geográficas e demográficas específicas: território montanhoso, Serras do Alvão e Padrela, baixa densidade populacional, envelhecimento e abandono rural”.

Para o estudo, foi aplicado um questionário a 253 residentes do concelho de Vila Pouca de Aguiar, entre 11 e 16 de dezembro de 2025, com uma prevalência de 69% de mulheres, elevada escolaridade, com 54,3% dos inquiridos com estudos superiores, e uma predominância da faixa etária dos 18 aos 35 anos, em 38,8% da amostra. Verificou-se ainda, nesta mesma amostra, que 26,7% são agentes ativos de Proteção Civil (Bombeiros, GNR, Forças Armadas).

 

Ângela Vermelho

Fotos: Cláudia Fernandes


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08/06/2026

Sociedade

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