Concurso de Saltos Internacional em Pedras Salgadas impulsiona economia local e aumenta número de inscritos

A apresentação do quase centenário Concurso de Saltos Internacional contou com a presença de Ana Rita Dias, do atual campeão do CSI**, o cavaleiro António Matos Almeida, e do representante da Federação Equestre Portuguesa, Pedro Carvalho.

A presidente salientou que todos os anos a afluência tem aumentado a nível de participantes e de público. “Todos os anos temos uma grande afluência e uma grande participação, tanto de cavaleiros como de público e este ano contamos crescer ainda mais”.

A representante do município adiantou que já estão inscritas 180 parelhas de participantes representando um crescimento no evento equestre. “Este ano contamos com mais participantes, até porque conta também para outras provas, e é muito importante participarem também neste concurso, o que demonstra um investimento e uma participação mais ativa e cada vez maior aqui no nosso concurso de saltos”.

Em relação a expectativas para este ano, Ana Rita Dias acredita que o Concurso Internacional de Saltos 2026 terá “milhares de pessoas, como todos os anos (…) quer sejam do concelho, de fora do concelho, e mesmo a nível internacional, que vêm de outros países para assistir”.

Neste sentido, a autarca fala em “casa cheia para assistir ao espetáculo” onde “a economia local ganha, porque ficamos com os nossos hotéis totalmente preenchidos por causa deste evento e, como é evidente, também a nível de restauração e a nível do comércio local. Todos ganham porque há muita gente que vem durante este fim de semana aqui ao nosso concelho”.

 

Interregno no concurso vincou necessidade da sua existência

Sobre o crescimento do CSI**, Pedro Carvalho, a representar a Federação Equestre Portuguesa (FEP), afirmou que “houve um interregno, era um concurso com muita tradição, dos mais conceituados, e esse interregno serviu para vermos a falta que fazia”.

O facto de haver cada vez menos concursos internacionais em Portugal é prejudicial ao desporto equestre. “Isso faz com que os cavaleiros não tenham a oportunidade de experienciar esse ambiente internacional e as exigências que um concurso desses promove e propõe aos cavaleiros, e compromete a continuação dos objetivos da Federação em termos desportivos e das provas que estão inseridas a nível internacional”.

Pedro Carvalho sublinha a importância do papel autárquico uma vez que estes eventos “promovem não só a prática desportiva e o contacto com o cavalo, como também as atividades ao ar livre que, e está mais do que explicado que hoje é dos problemas da juventude, uma lacuna, e vamos ver como resolver esse assunto no futuro”.

As provas de obstáculos terão vários níveis, desde o das escolas até aos níveis mais federados, esclarece o representante da FEP. São provas “normalmente mais ligadas ao cronómetro e são de tabelas normais”, mas com um nível de exigência maior “por ser internacional”, uma vez que “traz cavaleiros e cavalos com um nível superior e permite trazer uma exigência maior em termos técnicos, em termos de dificuldade, e isso é brilhante”. Também para quem vem assistir é possível “ver outro tipo de conjuntos e com outras exigências, e traz o tal ‘brilhantismo’ que se quer nas provas internacionais”.

 

O concurso pelos olhos do participante

O cavaleiro António Matos Almeida, afirma-se “preparadíssimo para vir aqui saltar, principalmente porque é um sítio de que gosto imenso de vir”, admite.

O atual campeão do CSI** explica que, quando participa em concursos, tem as prioridades bem definidas. “Primeiro, as condições para a prática da modalidade para o meu cavalo. Depois o ‘price money’ que os concursos têm, porque nós vivemos disto e os prémios são fundamentais para que nos possamos deslocar e pagar todas as nossas despesas do dia a dia. E depois, sem dúvida, a forma como nos recebem, porque primeiro está o animal e depois nós”.

António Matos de Almeida sublinha que o público aguiarense ajuda na competição, “é muito caloroso e puxa imenso pelos cavaleiros, o que faz com que, quando ganhamos a prova e, claro, quando perdemos, tenha outro sabor, e recebem-nos aqui principescamente”.

Em relação às condições proporcionadas, e uma vez que a sua principal prioridade é o cavalo, o atual campeão do CSI** salienta que o Centro Hípico de Pedras Salgadas tem “muito boas condições, quer em termos de piso, quer as boxes onde os cavalos ficam instalados”. Avança ainda uma outra característica do hipódromo das Romanas onde há “um picadeiro coberto para o caso de haver alguma chuva ou sol a mais, e também podermos treinar de uma forma um pouco mais calma e, sem dúvida alguma, é ótimo vir aqui”.

Para o cavaleiro, a “ambição é renovar o título aqui e em qualquer lado que vá, e a segunda ambição é que se não ganhar eu, que ganhe um português”. António Matos de Almeida frisa ainda a sensação de ouvir o hino de Portugal a tocar quando se ganha, “quando o hino toca e as pessoas o cantam, é de arrepiar”.

Quanto à preparação do cavalo, esta tem de começar desde cedo. “A preparação é feita desde que o cavalo é desbastado, ou seja, desde o dia em que o cavalo é domado. O cavalo é domado na idade dos três anos e, por exemplo, para uma prova deste nível, estamos a falar do grande prémio, começam a saltar a partir dos oito”. O cavaleiro acredita que o atleta tem de “trabalhar diariamente, é um treino rigoroso, e alguns chegam a este nível e outros não chegam. É uma disciplina muito grande, quer do cavalo, quer do cavaleiro”.

Segundo António Matos de Almeida, apesar de ser volátil, habitualmente um cavalo pode participar nos concursos dos oito aos 18 anos. “O cavalo chega à idade adulta aos oito anos e tem uma idade mais ou menos produtiva, até à casa dos 17, 18 anos”. Refere ainda casos em que após a alta-competição, os cavalos passam para a parte da formação e “começam a dar aulas de equitação” revelando que no “meu centro hípico, tenho uma égua com 31 anos, que ainda dá lições a crianças, o que é muito raro”.

“Os temperamentos do cavalo e do cavaleiro fazem muita diferença”, ressalva ainda António Matos de Almeida.

Município envolve associações aguiarenses no CSI**

Como forma de promover o próprio concelho e as associações socioculturais aguiarenses, todos os anos a Gala Equestre conta com a participação de entidades locais. “Já tivemos a banda Pontido, e eventos de dança que estiveram presentes, já tivemos o fado, cantado também por um dos nossos aguiarenses e, no ano passado, foi ao som do piano, tocado por um músico também aguiarense. Portanto, tentamos promover aquilo que temos aqui, que é de excelência, e fazer esse marco na história”, enumera Ana Rita Dias. Também a Associação de Desenvolvimento Sociocultural de Pedras Salgadas (ADSPS), responsável pelo Pedras Sounds Festival, costuma ser presença assídua no CSI**.

Ana Rita Dias relembra ainda que “no final do concurso, como já é tradicional, iremos sortear uma potra ou potro, e poderá haver algum contemplado que, se calhar um dia, estará a participar também aqui no concurso de saltos com o cavalo que vai receber de prémio”.

O Concurso de Saltos Internacional conta com o apoio institucional da Federação Equestre Internacional (FEI), da Federação Equestre Portuguesa (FEP), e está integrado no Portugal Horse Tour.

 

Texto e fotos: Ângela Vermelho