Ex-autarca de Montalegre não falou nesta fase de julgamento e pediu fim da proibição de entrar no concelho

No julgamento da operação Alquimia, e segundo a agência Lusa, a defesa do ex-presidente da Câmara de Montalegre Orlando Alves pediu ao tribunal a extinção das medidas de coação, como a proibição de entrar no concelho barrosão, onde tem residência em Salto. O Ministério Público pediu um prazo para se pronunciar e o presidente do coletivo de juízes deu cinco dias para o efeito.

Além da proibição de entrar no concelho, medida que caduca em agosto, o ex-autarca está ainda sujeito a apresentações semanais num posto policial da área onde habita atualmente, em Viseu, tendo, segundo a Lusa, solicitado a revogação das três apresentações semanais, correspondentes a três sessões de julgamento. Esta medida de coação caduca no final de junho.

O julgamento de Orlando Alves, de David Teixeira, ex-vice-presidente, eleitos pelo Partido Socialista, e de um funcionário da autarquia em outubro de 2022, começou na sexta-feira, no Tribunal de Murça, e envolve mais 57 arguidos, 19 dos quais empresas.

Orlando Alves não prestou declarações nesta fase, já David Teixeira prestou depoimento, assim como mais seis arguidos e começa a ser ouvido na sessão agendada para esta quinta-feira.

Os ex-autarcas são suspeitos do favorecimento de amigos e familiares em centenas de concursos públicos, do recurso sistemático ao ajuste direto ou ao ajuste simplificado, à divisão artificial dos trabalhos ou serviços e fracionamento da despesa, num esquema que a acusação suspeita que se tenha prolongado entre 2014 e 2022. O processo inclui crimes, com diferente intervenção dos arguidos, como associação criminosa, corrupção ativa e passiva, prevaricação, participação económica em negócio, falsificação de documentos, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, branqueamento e, ainda, crimes de fraude na obtenção de subsídio ou subvenção.

O Ministério Público (MP) imputa ao antigo presidente 395 crimes, entre eles associação criminosa, prevaricação, participação económica em negócio, branqueamento, falsificação de documento e fraude na obtenção de subsídio. 

Sara Esteves

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