Chaves promove caminhada de sensibilização para identificar barreiras à mobilidade urbana

A ação decorreu na zona urbana central da cidade, no Largo General Silveira, e reuniu pessoas com deficiência visual e motora, participantes sem limitações físicas, incluindo o executivo municipal, que experimentaram, em grupos, circular no espaço público com equipamentos auxiliares de locomoção e vendas nos olhos.

José Santos, de 65 anos e com deficiência visual, apontou várias barreiras arquitetónicas existentes na cidade, e disse que evita deslocar-se sozinho “porque sei que há barreiras arquitetónicas que nos prejudicam a locomoção e que podiam ser melhoradas”.

As barreiras maiores que eu sinto aqui na cidade, para uma pessoa andar sozinho, por um lado, são as esplanadas que encontramos e os postos que são nossos inimigos”, afirmou.

O professor de História destacou ainda os obstáculos causados por sinais de trânsito, postes de eletricidade e veículos estacionados nos passeios. José Santos defendeu também a instalação de mais semáforos sonoros. “Hoje em dia há possibilidade de colocar semáforos com sinais sonoros para os peões, e às vezes é isso que também que nos falta”, disse.

Javier López, participante sem deficiência e que integrou a experiência com venda nos olhos, descreveu as dificuldades sentidas durante o percurso. “A verdade é que senti dificuldades, porque não poder olhar para baixo, não ter consciência dos perigos que podemos reparar no chão é algo primordial”, destacou.

Segundo este cidadão, a experiência permitiu compreender melhor as limitações enfrentadas diariamente por pessoas com deficiência visual. “Não sabes nada do que ocorre ao teu redor, é muito limitante”, afirmou

Gabriel Miranda, com dificuldades de locomoção, considerou que as acessibilidades na cidade “estão a melhorar”, embora continue a identificar problemas relacionados com “o piso e as árvores nos passeios”.

Já Paulo Félix, utilizador de cadeira de rodas, apontou como principais dificuldades os passeios estreitos e os automóveis estacionados em locais indevidos. “As dificuldades são os passeios serem muito curtos e principalmente os carros em cima dos passeios”, disse.

O presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, afirmou que o município, com a ajuda de uma equipa externa, está a elaborar um plano de acessibilidades para Chaves e Vidago, e defende que as cidades devem ser pensadas para todos os cidadãos, independentemente das suas limitações físicas ou motoras.

“Nós sabemos que as cidades modernas, sobretudo as cidades mais desenvolvidas, têm crescentemente procurado soluções que sejam mais inclusivas e mais integradoras”, afirmou.

Segundo o autarca, o processo inclui uma fase de diagnóstico e identificação de obstáculos existentes no espaço público, com o objetivo de construir um plano de intervenção a curto, médio e longo prazo.

Nuno Vaz explicou que o município pretende incorporar critérios de acessibilidade em futuras obras e requalificações urbanas, embora admita que nem todas as limitações podem ser corrigidas de imediato, devido ao impacto financeiro das intervenções.

“Nós temos a noção que claramente não teremos capacidade no imediato de corrigir todas as desconformidades, todos os obstáculos, todas as limitações que sejam identificadas, mas com certeza haverá muitas intervenções cujo impacto financeiro não seja tão substancial e, portanto, essas, com certeza serão feitas de imediato”, disse.

O presidente da autarquia referiu ainda que muitas intervenções recentes já tiveram em consideração preocupações relacionadas com mobilidade reduzida e deficiência visual, mas defendeu uma maior sensibilização da comunidade para comportamentos cívicos no espaço público.

“Para além dos obstáculos físicos, permanentes, depois temos veículos estacionados em cima do passeio, esplanadas fora do lugar em que está autorizado, temos depois colocação de objetos que não estão autorizados no espaço do domínio público”, apontou.

O autarca admitiu ainda que o uso de paralelo em zonas pedonais deverá ser reavaliado em futuras intervenções urbanísticas. “No espaço para utilização de peões, provavelmente deve ser uma solução que deve ser ponderada e porventura, em muitos casos, não ser adotada”, afirmou.

O Plano de Promoção da Acessibilidade Universal dos Espaços Públicos de Chaves e Vidago (PPAU – Fases 1 e 2) foi apresentado na noite de 20 de maio, na sala Multiusos da Biblioteca Municipal, numa sessão pública de sensibilização. Sob o mote "Chaves para as Pessoas", a sessão pretendeu “aproximar a comunidade do processo em desenvolvimento, recolher contributos da população e reforçar o papel ativo de todos na construção de uma cidade mais acessível, inclusiva e preparada para responder às necessidades de cada cidadão”, disse o município.

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Regional Norte 2030 e cofinanciado pela União Europeia.

Texto e Fotos: Sara Esteves