Futuro do rio Corgo e da ribeira da Pena discutido em Tourencinho

A manhã começou com uma caminhada interpelativa orientada pelo professor Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), António Crespí, pelas margens do rio Corgo. A atividade contou com a presença do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, José Luís Teixeira. Ao longo do percurso, “os participantes aprofundaram conhecimentos sobre a fitossociologia da paisagem, a história ecológica do vale e a influência das comunidades humanas na construção e transformação do território que hoje habitamos", segundo uma nota partilhada pela equipa do projeto Kalaiko.

Durante a caminhada foram observados vários elementos “relevantes” para a compreensão do estado atual do ecossistema ripícola, entre eles a presença de amieiros secos ou mortos devido à doença do amieiro, doença provocada por um fungo que tem afetado a bacia do rio Corgo. Foi também identificado a presença “excessiva” de vegetação no leito o rio, conforme explicado pela Professora Doutora Simone Varandas, da UTAD.

De tarde foi realizada uma mesa redonda e sessão participativa com as entidades convidadas, entre as quais representantes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Águas do Norte, UTAD, Município de Vila Pouca de Aguiar, Associação Cultural e Recreativa Tourencius dos Xudreiros (ACRTX), António Lameiras e Kalaiko. A sessão contou também com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Ana Rita Dias, e do Diretor da Águas do Norte, Nuno Aguilar.

Entre os principais temas abordados esteve, segundo a mesma fonte, a necessidade de um trabalho integrado entre a comunidade local, o Município de Vila Pouca de Aguiar, a Junta de Freguesia de Telões, a Águas do Norte e a APA, “de forma a alinhar prioridades e esforços para melhorar a situação atual do rio”.

Foi explicado que uma das dificuldades identificadas está relacionada com a sobrecarga da ETAR por entrada de águas limpas, provenientes de águas pluviais e de sobras de nascentes privadas. Esta situação “compromete o funcionamento adequado da infraestrutura, uma vez que a ETAR está preparada para tratar águas residuais e depende de determinadas condições físico-químicas e biológicas para funcionar corretamente”, conforme indica uma nota partilhada pela Kalaiko

A mesa redonda permitiu ainda dar a conhecer fontes de poluição, medidas a seguir, futuras ações de sensibilização em parceria com a Águas do Norte, bem como a possibilidade de inclusão do rio Corgo no programa PRO-RIOS 2030. Foram também discutidas medidas de restauro ecológico, a importância dos açudes, da bacia hidrográfica e do vale do Corgo enquanto sistema ecológico, cultural e comunitário.

O evento foi organizado por Kalaiko no âmbito do projeto CorGO - Community River Action Lab (co-funded by European Union no âmbito dos regenerative communities fund promovido por ECOLISE, funding fairer futures) com o envolvimento da Associação Cultural e Recreativa de Tourencius dos Xudreiros — ACRTX.

 

Giovane Rodrigues

Fotos: Sara Barreiro, Daniela Barreiro e Caio Maia