Delegação distrital da Ordem dos Solicitadores discute os desafios da profissão

Vila Pouca de Aguiar recebeu pela segunda vez vários solicitadores do distrito de Vila Real para discutir a profissão de solicitador ao longo dos anos. A tertúlia juntou nomes como Nicolau Vieira, presidente do Conselho Regional do Porto (CRP) da OSAE, a presidente da Delegação Distrital de Vila Real da OSAE, Sandra Rodrigues, e o solicitador e académico Delfim Costa.

De acordo com o presidente do CRP da OSAE, Nicolau Vieira, a profissão tem vindo a sofrer alterações ao longo dos anos. Entre as principais mudanças está a Lei dos Atos Próprios, medida, que no seu entender, abriu o exercício de atos jurídicos a licenciados em Direito não inscritos nas ordens profissionais. “A partir de 2024 com a alteração imposta pelo Governo, a Lei do estatuto dos atos próprios sofreu mudanças na liberalização das profissões jurídicas. Os licenciados de direito passaram a ter uma maior amplitude no trabalho que podem efetuar, resultando na falta de segurança ao negócio jurídico”, destacou.

Entre os desafios que os solicitadores enfrentam, Nicolau Viera aponta para a interiorização.

Penso que é uma questão transversal a todo o interior e Vila Pouca de Aguiar vai sofrer naturalmente com isso. Temos a desertificação, os mais jovens vão abandonando e os novos associados sentem grande dificuldade em se fixarem em Vila Pouca de Aguiar e nos concelhos limítrofes. Portanto se há menos população, há naturalmente menos trabalho e menos oportunidades de negócio”, apontou.

Também Sandra Rodrigues, solicitadora, e atual presidente da Delegação Distrital de Vila Real da Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução, falou sobre a evolução da profissão que “tem acompanhado as transformações económicas e sociais do concelho e da região”.

Segundo a presidente, em territórios do interior como Vila Pouca de Aguiar, os Solicitadores e Agentes de Execução “desempenham um papel particularmente relevante pela proximidade às populações, às empresas e às instituições públicas, nomeadamente serviços como Finanças, Conservatórias e Câmaras Municipais e demais organismos administrativos”.

A também solicitadora adianta que nos últimos anos, foi registada “uma crescente exigência técnica e uma maior complexidade dos processos, o que obrigou os profissionais a uma constante atualização e adaptação, nomeadamente ao nível da digitalização e da desmaterialização dos serviços”.

Sandra Rodrigues destaca que apesar dos desafios demográficos e da interioridade, “continua a existir procura pelos serviços jurídicos, sobretudo em matérias relacionadas com património, registos, execuções, sucessões e apoio às pequenas e médias empresas”.

 

No decorrer da reunião, os intervenientes abordaram a diferença nas classes de advocacia e solicitadoria. Apesar das semelhanças, a sociedade desconhece as suas funções que engloba várias vertentes, tais como: a representação jurídica, escrituras e registos, negócios imobiliários entre outros.

Segundo o orador Delfim Costa, “o solicitador é um profissional na área do direito, por uma vertente mais prática e até mais preventiva, ou seja, resolve as situações antes de chegar ao conflito”, refere.

Este solicitador abordou ainda o tema da inteligência artificial e defendeu que estas ferramentas devem servir apenas como apoio ao trabalho jurídico. “Estas ferramentas não podem substituir o raciocínio e o pensamento jurídico do solicitador. Defendo que o solicitador é um jurista, deve saber analisar as leis, deve preocupar-se em analisar os vários institutos jurídicos que temos e utilizar várias ferramentas de informáticas, incluindo a inteligência artificial como suporte e não uma substituição, porque caso contrário, vai ser um mero executor”, afirma.

As comemorações culminaram com um jantar de confraternização.

 

Texto e Fotos: Giovanne Rodrigues