Aguiarense apresenta estudo sobre riscos de Vila Pouca de Aguiar em congresso nacional

No âmbito da licenciatura em Engenharia de Proteção Civil, da Universidade Lusófona Porto, Cláudia Fernandes, de 31 anos e bombeira de profissão, juntamente com os colegas Sérgio Tavares e Fábio Neves, levaram as conclusões do seu projeto ao VII Congresso Nacional de Riscos que se regeu pelo tema “Recursos Naturais, Energia e Sociedade: riscos globais e caminhos para a sustentabilidade”.

A nível de conclusões, com uma escala de 1 a 5, o estudo mostrou que os incêndios rurais apresentam a maior média de preocupação (4,33), seguidos pelas ondas de calor (3,82) e por acidentes rodoviários (3,61).

Outra conclusão a que o grupo chegou foi o facto de haver “uma elevada literacia teórica (75,3% têm formação em Suporte Básico de Vida), mas uma carência crítica de meios materiais de primeira intervenção, com 65,5% dos inquiridos a admitir não ter equipamentos de proteção contra incêndio em casa”. Também percecionaram a “elevada disponibilidade (4,31) para alterar comportamentos preventivos, elegendo a educação (4,55) como o principal canal de informação”, referem.

No campo da consciência social, refe ainda o estudo, “a população rejeita explicações fatalistas, como ‘castigo divino’, atribuindo os riscos a falhas no ordenamento do território (média 3,81)”.

O Projeto de Investigação Interdisciplinar traz vantagens ao concelho, diz Cláudia Fernandes, uma vez que permite “o mapeamento de riscos com base na perceção real da população; ajuda a definir estratégias de comunicação mais eficazes e direcionadas; identifica grupos vulneráveis e avalia a confiança nas instituições e mecanismos de segurança”.

Quanto à escolha do local, a aguiarense explica que o estudo incidiu em Vila Pouca de Aguiar “devido às suas características geográficas e demográficas específicas: território montanhoso, Serras do Alvão e Padrela, baixa densidade populacional, envelhecimento e abandono rural”.

Para o estudo, foi aplicado um questionário a 253 residentes do concelho de Vila Pouca de Aguiar, entre 11 e 16 de dezembro de 2025, com uma prevalência de 69% de mulheres, elevada escolaridade, com 54,3% dos inquiridos com estudos superiores, e uma predominância da faixa etária dos 18 aos 35 anos, em 38,8% da amostra. Verificou-se ainda, nesta mesma amostra, que 26,7% são agentes ativos de Proteção Civil (Bombeiros, GNR, Forças Armadas).

 

Ângela Vermelho

Fotos: Cláudia Fernandes