Chaves Mais faz balanço positivo dos últimos meses de coligação com três propostas e um voto contra a solução para o caso Vidago FC

Na conferência de imprensa, os líderes das bancadas municipais do PSD, do CDS-PP, IL e os vereadores da coligação, Marcelo Delgado e Joaquim Tomaz, defenderam uma oposição “responsável e construtiva” e destacaram que têm apresentado propostas nas áreas social, desportiva e ambiental. Neste encontro com a comunicação social, os vereadores sem pelouro admitiram que criticam a gestão do processo relativo ao Vidago FC e ao contrato-programa com a autarquia.

Coligação apresentou três propostas e reforça oposição “ativa” no executivo

A Chaves Mais afirmou que os dois vereadores mantêm uma intervenção “regular” nas reuniões de Câmara, e consideraram que a atuação da coligação assenta na fiscalização do executivo socialista, liderado por Nuno Vaz. Esta aliança partidária defendeu que continuará a levar propostas ao debate municipal.

Coligação lança proposta de rede de apoio domiciliário, mas resposta social foi chumbada

No plano social, a coligação apresentou uma proposta, este mês, de criação de uma rede municipal de apoio domiciliário de proximidade, dirigida à população idosa e a situações de isolamento. A medida prevê “visitas domiciliárias regulares, sistemas de acompanhamento à distância, transportes a pedido, apoio em tarefas do quotidiano e articulação entre entidades sociais, saúde e proteção civil”. Os eleitos criticaram o chumbo da proposta pelo executivo socialista, segundo a coligação, por motivos financeiros.

Coligação avança com Conselho do Desporto e pressiona agendamento em Câmara

Na área do desporto, a Chaves Mais apresentou, em abril, a proposta de criação de um Conselho Municipal do Desporto, para articulação entre clubes, associações, federações, entidades locais de saúde e forças de segurança. A coligação pretende definir prioridades de investimento e organizar as políticas desportivas municipais, incluindo infraestruturas como campos, piscinas e equipamentos desportivos.

Segundo a coligação, a proposta, apresentada em março, encontra-se ainda em análise nos serviços municipais.

Coligação quer instituir Dia do rio Tâmega e mobilizar território transfronteiriço

A terceira proposta, apresentada em abril, passa pela criação do Dia Internacional do rio Tâmega, no sentido de reabilitar o rio. A iniciativa pretende envolver escolas, autarquias, entidades ambientais e instituições dos dois lados da fronteira na defesa do rio Tâmega, com a promoção de ações de educação ambiental e participação cívica.

“Não podemos passar indiferentes ao facto do rio Tâmega apresentar ano após anos níveis de degradação ambiental inaceitáveis, com responsabilidades conjuntas dos dois países”.

A coligação defende que a data poderia coincidir com o Dia Mundial da Água, a 22 de março.  “Seria uma oportunidade para chamar a atenção para os dois governos, português e espanhol, para toda a comunidade educativa, para os ambientalistas, os dois territórios de fronteira e para a Eurocidade”.

A oposição reconhece que o problema do rio não se resolve num curto espaço de tempo e que existem medidas adotadas nos últimos anos, mas entende que não são suficientes.

Também esta proposta, segundo a coligação, encontra-se ainda em análise nos serviços municipais.

Coligação rejeita dação em solvendo do estádio do Vidago FC

Os vereadores da Chaves Mais referem que votaram contra a proposta de aceitação da dação em solvendo do estádio do Vidago FC ao Município de Chaves, no âmbito da resolução do contrato-programa com o clube. A coligação aponta um conjunto de reservas jurídicas, financeiras e de gestão pública.

Temos uma grande opacidade relativamente à subvenção concedida para a execução das obras. O dinheiro foi transferido para o Vidago e as obras não apareceram, não há esclarecimento nenhum sobre o destino desse dinheiro (…) não há evidência sobre o campo sintético, nem da melhoria do estádio, nem licenciamento municipal dessas obras”, acusa Marcelo Delgado.

A coligação entende que a “aparente dívida perante a Câmara”, não pode ser resolvida através de uma dação. “Transferir o património do Estádio do Vidago para o Município de Chaves, pensando que com isso se resolve o problema da dívida, porque não é uma dívida é um desvio ao fim da subvenção, não é solução. Não me parece correto do ponto de vista jurídico nem público”, acusa mostrando-se disponível, juntamente com Joaquim Tomaz, para reunir com a direção do clube.

Segundo o mesmo, a proposta da dação não foi aprovada por unanimidade em assembleia geral do Vidago e volta a referir que “a câmara não cumpriu os seus deveres essenciais de acompanhamento e de fiscalização do contrato”.

Os eleitos mencionam a existência de uma investigação em curso da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) e questionam se não “seria prudente esperar pelo resultado dessa investigação e pelas conclusões, antes de avançar para uma decisão drástica e quase irreversível”.

Os vereadores alertam ainda para “uma dívida de 165 mil euros e de um estádio avaliado em mais de 300 mil euros”.

Apesar das críticas, sublinham que não estão contra o Vidago FC, e manifestam “solidariedade” com o clube. “O Vidago Futebol Clube merece uma solução digna da sua história. Não merece ser empurrado para uma solução que lhe retira a sua identidade, a sua bela história, com a perda do seu estádio, da sua casa”, refere.

No balanço dos seis meses da coligação “Chaves Mais” estiveram presentes Nelson Montalvão, presidente da concelhia do PSD de Chaves e líder dos sociais democratas da bancada municipal na assembleia municipal, e Teresa Campos e Pedro Figueiredo, líderes da bancada municipal do CDP-PP e da IL na assembleia municipal, respetivamente.

 

Texto e Fotos: Sara Esteves